Marcas que transformam residência de consumidor em ‘clube’ viram tendência; Feira de Franquias termina amanhã
Marcele Tonelli
“Não é modismo, é tendência. Marcas que proporcionam lazer na casa do próprio consumidor têm crescido e dado bons retornos ao investidor”, aponta o diretor comercial da Companhia de Franchising de São José do Rio Preto, Junior Nascimento, durante a abertura da Feira de Franquias na manhã de ontem, no Bauru Shopping.
Questões como a busca por maior segurança, a falta de tempo e o desejo de curtir mais a família fazem com que os consumidores levem cada vez mais o lazer para dentro de casa. A expansão do mercado de manutenção do lar aponta que das 17 mil empresas instaladas na cidade, 28,6% representariam a fatia dos estabelecimentos que atendem a essas e outras necessidades do lar.
De acordo com Nascimento, o número de empresas deste ramo, que buscam no Interior o mercado de cidades com população entre 100 mil a 500 mil habitantes, cresceu de modo atrativo nos últimos anos.
“As marcas instaladas nas grandes cidades estão vindo para o Interior em busca de menos competição. Empresas voltadas ao lazer dentro de casa, como franquias de piscinas e as lojas que comercializam banheiras de hidromassagem, estão ganhando cada dia mais espaço por aqui”, reforça o diretor comercial da Companhia de Franchinsig, que ressalta o fato de que a tendência de franquias voltadas para a transformação dos lares é acompanhada pela liderança do setor alimentício, que ainda representa a maior fatia do mercado.
Para o economista e presidente da Associação Comercial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, o bom momento das franquias se deve à circulação de renda na cidade e ao potencial de compra do consumidor, que vem aumentando. Dados apresentados pelo economista demonstram que o Produto Interno Bruto (PIB) de Bauru somou mais de R$ 6,5 milhões em 2011, e o potencial de compra ultrapassou R$ 7 bilhões.
A ascensão da classe média aparece como a ‘menina dos olhos’ dos investidores nos mais diversos setores, segundo o economista. A população com renda entre R$ 1 mil e R$ 6 mil soma quase 80% do total de consumidores ativos na cidade.
Alimentação e mulheres
Além do setor de lazer, as franquias voltadas ao setor alimentício também crescem expressivamente na região. Dados apresentados por Reinaldo Cafeo apontam que, após o ramo de lazer, o segmento que mais cresce é o alimentício, com mais de 15% do total de empresas do município.
“O ramo de fast food cresceu muito. A vida estressante faz com que as pessoas acabem se alimentando na rua. As grifes de produtos de beleza e perfumaria também estão no topo da lista, junto com a alimentação e manutenção do lar. O sujeito que antes não comprava uma camisa de marca, por exemplo, hoje busca um valor agregado ao produto”, enfatiza.
Das 17 mil empresas instaladas em Bauru, 47% representam o setor de comércio com 7.808 lojas. Já o setor de serviços aparece com 7.442 estabelecimentos, atingindo 46% do total. Os outros 7% são respectivos às 1.208 indústrias existentes em Bauru e outras 132 empresas representam o setor de agrobussines.
Buscando aproveitar a expansão no mercado feminino, o administrador de empresas Ruy Pagano Neto, 26 anos, foi à Feira de Franquias na manhã de ontem para buscar informações sobre o futuro investimento.
“Eu e minha mulher conversamos e estamos pensando em montar uma loja de artigos para mulheres. Ainda não sabemos se vamos investir em acessórios, vestuário ou produtos, mas sabemos que esse mercado está em expansão, então vamos aproveitar o momento”, afirma Ruy.
Sobre o investimento em franquias, o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden, faz um alerta aos novos empreendedores. “A pessoa que busca ter um negócio próprio deve procurar muito mais do que a sensação de liberdade por não ser mandada. É preciso informação, formação, ter o perfil e sentir o negócio para que a franquia atenda as necessidades específicas do seu público, e não do público das capitais. É preciso que o bauruense pense na sua realidade, que é Bauru”, ressalta o empresário, que palestrou durante a abertura da Feira de Franquias ontem.
De R$ 10 mil a R$ 1 milhão
Para quem deseja investir na compra de uma franquia, Junior Nascimento explica que o preço mínimo de investimento para uma micro-franquia é de R$ 10 mil a R$ 15 mil, para empresas no setor de serviços financeiros, empréstimos consignados e pequenos consertos.
Já na área de alimentação e vestuário, as empresas variam de R$ 50 mil a R$ 1 milhão, dependendo da popularidade das marcas e da garantia de retorno.
“A franquia mais vendida é na área de alimentação. Um quiosque de café, por exemplo, chega a custar de R$ 150 mil a R$ 300 mil, com retorno de 18 a 24 meses”, completa o diretor comercial da companhia de franchising de São José do Rio.
Para o economista Reinaldo Cafeo, o risco de um empreendimento próprio acaba compensando ao investidor o preço pago pela franquia. “Com a inflação baixa, o nível de risco assumido é muito alto. As pessoas preferem gastar um pouco mais para trilhar um caminho mais seguro e não cometer erros operacionais, que logo no início, podem ser fatais para o negócio.”
Feira de Franquias
A Feira de Franquias será encerrada amanhã. O evento funciona das 10h às 22h, na praça de eventos do Bauru Shopping, e é aberto ao público.
Também sem qualquer custo aos participantes, o Sebrae-SP promove hoje e amanhã palestras com os temas “Planejando a abertura de uma empresa”, “Empreendedorismo”, “Administração competitiva” e “Franquia – Aspectos legais”. Para participar. Os interessados devem fazer sua inscrição pelo telefone 3366-5000 ou durante a feira, no estande do Sebrae.
Especialista destaca a importância de analisar relação custo-benefício
Segundo Junior Nascimento, a primeira questão que deve ser considerada pelo empreendedor que deseja investir em uma franquia é a relação custo-benefício do negócio, que deve proporcionar retorno ao investidor num espaço de tempo de 18 a 24 meses em pequenos negócios.
Para os investimentos em grandes marcas, acima de R$ 500 mil, ele ressalta que esse tempo passa a ser de 24 a 36 meses. “Não reconhecemos como um bom negócio um retorno acima de 36 meses. Afinal, o investimento é grande e o retorno é demorado e baixo”, explica.
Pensando em custo-benefício, o casal de Ibitinga José Carlos, 51 anos, e Luzia, 47 anos, (que por questão de segurança, preferiram divulgar somente o primeiro nome) negociavam com o diretor de franquias de um quiosque na feira do Bauru Shopping, Marcelo Toledo, uma franquia do ramo de segurança.
“Sentimos que a cidade está cada vez mais violenta e empresas dessa área estão começando a aparecer. Achamos que é um bom momento para montar um negócio”, afirma o casal, que pretendia fechar o negócio com custo de R$ 80 mil.
http://www.jcnet.com.br/Economia/2012/04/lazer-em-casa-e-filao-para-franquia.html