
Abrir a própria loja em um shopping center é o sonho do empreendedor que busca um caminho rápido, e seguro, para crescer e aparecer. Não por acaso, as vendas em shoppings contabilizaram R$ 104,1 bilhões em 2011, um aumento de 12% em relação a 2010, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Quem tem capital para investir, tenta esse caminho. Para efeito de comparação, todo o setor de varejo – exceto os segmentos de combustível, automotivo e de material de construção -, faturou R$ 705 bilhões, no ano passado.
Mas a distância entre desejo e realidade pode ser grande demais para quem ambiciona um ponto de venda como esse. “O custo entre luvas, aluguel e condomínio é alto. Quantos novos empresários conseguem bancar R$ 600 mil de luvas, por exemplo?”, pergunta Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto – consultoria especializada em canais de marketing e distribuição. A resposta para o aparente impasse é dada por ele mesmo. “Uma saída para os pequenos e médios empreenderem em shoppings é como franqueados de marcas conhecidas”, afirma.
“Marcas de prestígio são objeto de desejo dos administradores de shoppings centers, pois atraem público. Assim, o franqueado terá um poder de negociação maior para discutir as condições para estar nesse ponto de venda”, explica Cherto.
O franqueador também pode ser um aliado em relação a práticas dos shoppings, como a reforma do espaço do empreendimento. Normalmente, as obras nesses espaços só podem ser feitas fora do horário comercial. Como a rede já está habituada com esse procedimento, pode orientar o novo franqueado.
Os investimentos da indústria de shoppings centers
O bom momento para o setor varejista tem gerado investimentos em novos empreendimentos imobiliários da categoria de shoppings. Em um levantamento de abrangência nacional, a Alshop apurou que no fim de 2011 existiam 113 novos shoppings em construção. “Esses empreendimentos serão entregues até 2014. Acreditamos que este ano novos empreendimentos imobiliários serão somados a esses já contabilizados”, diz Luís Augusto Ildefonso da Silva, diretor de Relações Institucionais da Alshop.
Mesmo com o aumento no número de unidades de shopping no País, para o executivo da Alshop empreender nesse tipo de ponto comercial continuará caro. O motivo é a conhecida lei da oferta e da procura. “Vários shoppings são inaugurados anualmente, mas a uma velocidade menor do que a do aumento da demanda por parte dos lojistas”, explica.
Para o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CDNL), Roque Pellizzaro Junior, os altos custos dos shoppings centers têm sido o grande fator de impedimento para que os pequenos lojistas consigam sucesso dentro do espaço individualmente. “A expansão dos shoppings seria uma excelente oportunidade para os novos empreendedores caso a legislação brasileira equilibrasse as relações entre os donos dos shoppings e os lojistas”, afirma. “Hoje, 25% das pequenas lojas de shoppings são trocadas a cada ano. Um em cada quatro empreendedores não conseguem manter seus negócios devido aos custos altíssimos desses pontos de venda.”
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